sábado, 27 de novembro de 2010

CABEÇA DE VENTO (Cabeça de Vento #01)

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“Emerson Watts é uma garota de 16 anos, fã de vídeo-games e que passa bem abaixo do radar de popularidade em sua escola. Quando é obrigada pela mãe a levar sua irmã mais nova na inauguração da ‘Stark Megastore’, Emerson não tem idéia de como a sua vida vai se entrelaçar à da supermodelo adolescente Nikki Howard em razão de um acidente causado por manifestantes, que protestavam no local contra o monopólio das empresas Stark.”
CABEÇA DE VENTO (Cabeça de Vento #1)
MEG CABOT
313 páginas.
Galera Record, 2010.

Como fã da Meg Cabot, falar mal de um livro dela publicamente faz eu me sentir mal. Ao mesmo tempo, existe algo chamado honestidade intelectual e eu não poderia ler um livro, detestá-lo e escrever uma resenha mentindo descaradamente sobre suas virtudes.

 Por que, Meg? POR QUE?

“Cabeça de Vento” é o primeiro livro de uma trilogia composta por “Being Nikki” e “Runaway” (“Sendo Nikki” e “Passarela”, numa tradução livre), que está sendo publicada no Brasil pela Galera Record.

Falar de “Cabeça e Vento” sem dar spoilers fica um pouco difícil na hora de abordar os problemas com a narrativa, mas acredito que o que será dito a seguir já é de conhecimento geral: basicamente, a estória começa quando manifestantes causam um acidente na inauguração da Stark Megastore, o que acaba por ferir gravemente Emerson e causar um colapso em Nikki. Então temos o seguinte quadro: (i) Nikki teve morte cerebral, mas seu corpo está em perfeito estado; (ii) Emerson possui o cérebro intacto, mas seu corpo teve ferimentos fatais; e (iii) o grupo Stark, patrocinador de Nikki, não está disposto a perder o rosto que é associado com a cara e os valores de suas empresas.

A solução, é claro, consiste em realizar um “transplante de corpo inteiro” (duh)! Sim, o cérebro de Emerson é colocado no corpo de Nikki, o que significa que a partir de agora Emerson deverá viver, bem, como uma super modelo adolescente. Sério, é a versão Meg Cabot de Drop Dead Diva. Só que ao contrário.
Nikki Howard e Emerson Watts se elas tivessem mais de 30 anos. 

Não tenho nenhum problema com essa lógica de ficção científica. Transferência de corpo inteiro? Parece genial, desde que seja bem executada. Mas em “Cabeça de Vento” a narrativa se desenvolve de tal modo que as coisas deixam de ser críveis. Diversas situações absurdas acontecem e tudo parece muito forçado. Emerson Watts, ao invés de entrar numa reflexão sobre perder sua antiga identidade e começar a viver como sendo outra pessoa (o que seria épico se escrito no inconfundível estilo de Cabot), começa a se preocupar com garotos e lição de casa. Oi? Como uma personagem descrita como sensata e inteligente perde a noção do que seria “estabelecer prioridades”?
 
Agora vem spoiler (pule para o próximo parágrafo se não quiser ler): Fiquei profundamente incomodada com o fato que de que Emerson não pode contar a ninguém sobre o transplante porque o advogado das empresas Stark fez seus pais assinarem um contrato de sigilo, cuja penalidade em caso de quebra está na casa dos milhões de dólares. Sério. Isso é absolutamente INCONSTITUCIONAL. Alguém, por favor, liga para um consultor jurídico?

Quanto às personagens, acho que o desenvolvimento de Emerson foi mais um retrocesso. Já Nikki nunca é abordada o suficiente para termos uma idéia mais clara e menos estereotipada de quem ela era. E as personagens de apoio são basicamente fórmulas prontas: Frida, a irmã de Emerson, é uma garota fútil que quer ser líder de torcida (clichê); Brandon Stark, namorado de Nikki, é um playboy bonito, rico e burro (clichê); o cantor Gabriel Luna é o inglês com um sotaque adorável que sempre surge do nada onde Nikki está (clichê); Lulu Collins é a amiga rica e burrinha, mas com um coração de ouro (clichê); e Christopher Maloney é o melhor amigo de Emerson, que despreza a galera popular e é simplesmente muito cool (clichê).

E como comentei na resenha de “Dead to the World”, acredito que deixar finais abertos, mas não inconclusivos, é um dos maiores méritos de uma boa série. Infelizmente, “Cabeça de Vento” nos traz um dos finais mais insatisfatórios de que me recordo. Eu queria me matar! Não acontece nada, absolutamente NADA! É simplesmente esquisito e totalmente abrupto.

Há também, é claro, aspectos positivos em “Cabeça de Vento”: o livro é escrito naquele inconfundível estilo de Meg, leve e divertido, como se você estivesse conversando com sua melhor amiga. Além disso, as referências ao universo nerd estão lá e sempre estampavam um sorriso no meu rosto (a Emerson lia Electronic Gaming Monthly. Sério, essa parte me emocionou profundamente).

Em suma: “Cabeça de Vento” não me agradou e o julgo um trabalho fraco para os parâmetros de Meg, que já provou poder fazer muito melhor nas séries “O Diário da Princesa”, “A Mediadora”, “Garotos” e “Tamanho 42 Não é Gorda”, só para citar alguns exemplos.

Em tempo, “Being Nikki”, a continuação de “Cabeça De Vento”, tem previsão de lançamento no Brasil para março de 2011.
 
Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: Absoluta falta de verossimilhança e um uso vergonhoso de recursos deux ex machina.
Avaliação Geral: 2/5


13 comentários:

book disse...

Jura que você não gostou de cabeça de vento?? Achei tão legal! Tudo bem que a história é mesmo viajona, mas sei lá, acho que gosto é gosto né? Mas ainda assim, acho que os próximos livros serão melhores, nunca boto muita fé no primeiro livro de uma série hahahah :)
Gostei do seu blog, vou passar mais vezes por aqui :D
Beijocas!
P.S: Aqui é a Lú, dona do EstanteChick, essa conta do google minha é beeeem antiga e odeio ela :S

Kathy disse...

Eu adoro a Meg Cabot, mas atualmente estou um pouco cansada das histórias dela. =/
Eu li partes desse livro na ultima vez que fui para a saraiva e achei que estava faltando algo na história.Não tive coragem de comprar o livro xD não quero me desapontar com essa autora. Esse é o mesmo motivo pelo qual ainda não terminei de ler a coleção do Diario da Princesa.

Beijos,
Kathy
http://leitora-compulsiva.blogspot.com

Victor disse...

Nunca li Meg Cabot além de um pessímo conto de "terror-chick lit" em Formaturas Infernais. Apesar disso, achei o filme "O diário da Princesa" inteligente e, apesar de bobo, divertido. Pela sua resenha, o livro nao me atrai nenhum pouco e parece que irei demorar mais do que pensava para ler alguma coisa de Meg Cabot. O que você sugere ? - lembrando que nao gosto de livros super girl e muito femininos, mas tenho uma mente bem aberta. Realmente é difícil criticar o trabalho de alguém que gostamos, mas enganar nao dá. A honestidade deve prevalecer - código de blogueiro huá ! - mesmo que usemos termos subentendidos para expressar nossa opniao negativa - o poder das palabvra :)Só uma coisinha que percebi. Runaway, do que eu li dessa série e, pela capa, é Fugitiva, ou Em Fuga e nao passarela.

Beijos de seu fa chato e incondicional,

Victor

Léka disse...

Lú: Sempre penso também "Ah, vai que melhora?" quando se trata de uma série...rs. Talvez por isso eu dê uma chance à Being Nikki! Mas "passeando" pela blogosfera percebi que muita gente gostou de "Cabeça de Vento". Talvez eu é que estivesse num mau dia quando o li rs...

Kathy: Sou super fã da Meg, mas confesso que tb não gostei de muitos dos últimos livros dela (Rainha da Fofoca, Sorte ou Azar e Avalon High, para citar alguns). Bem, acho que isso é normal quando se trata de uma autora que publica uns 3 livros por ano o.o...

Victor: Recomendo para todo mundo "A Mediadora". É, na minha opinião, o melhor trabalho de Meg e com certeza o com os fãs mais fiéis. "A Garota Americana", "Tamanho 42 não é gorda" e todos os da série "Garotos" também são muito bons. Ah, é claro, há "O Diário da Princesa".

É verdade, "Runaway" pode ser traduzido por "Fugitiva" (o que combina com a capa do livro), mas é também sinônimo de "Catwalk" (ou "Passarela", o que, pelo fato de Nikki ser modelo, também dá certo). Acho que foi intenção da autora dar essa ambiguidade :]

Galera, super obrigada pelos comentários!

Mariana disse...

O enredo desse livro não me chamou atenção, mas a capa é LINDA *_*

Gosto de resenhas sinceras como a sua!

Bjs
Mari
Psychobooks

Letícia Santos disse...

Não é lindo? Gritei horrores quando ganhei *-*
Eu quero o kit de A Força do Amor agora :)
Nossa, eu jurava que Cabeça de Vento era ótimo!

Vicky Doretto disse...

Gosto muito da Meg, mas não gostei de Cabeça de Vento... Assisto Drop Dead Diva, é muito divertido *-* rs
Adorei seu blog, vou passar por aqui sempre (às vezes fica séculos sem aparecer, mas não ligue não... rs)
Bom, obrigada por passar lá no IW, e realmente, os livros demoram muito para chegar ao Brasil... #irritante

BJão

Nathalia disse...

Cara, eu... eu... odiei esse livro. MUITO. Eu adoro sci-fi, mas ficou estranho nessa história... e a Emerson é mais do mesmo estilo protagonista-da-Meg. E a história... HM... quase nem tem história! É só uma introdução para os próximos dois livros, e odeiodeio quando o primeiro volume de uma série é assim, arrgh.

Sei lá, enjooei bastante da Meg Cabot, li Rainha da Fofoca 3 semana passada e tive muita raiva :(

Alba disse...

E é isso que eu adoroooo me blogs literários! Opiniões divergentes!!

Eu já li no blog do Rafa (lembra daquela história?) ele falando superbem desse livro.

Agora você diz o contrário. \o/ Eu estou com esse livro comprado, (então a fila é gigaaante) vou ler e passo pra te contar o que eu achei!

Adorei a resenha Leka! Muito bem- construída e esclarecedora! Adorei a tua forma de conduzir o texto!!

Beijos

Alba
Psychobooks

Caroline Juliane Bonifácio disse...

Uaaaal!! Nunca tinha ouvido tanto mau sobre este livro hsuhs
Nunca parei para ler, mais já tive uma imensa vontade!!! Acho que tudo o que você falou me faz sentido, e gosto muito quando os blogueiros são sinceros nas resenhas!!
*--*
Beijos
Carol {SobreUmlivro}

DeFatto! disse...

Nossa, eu ri quando li "Nikki Howard e Emerson Watts se elas tivessem mais de 30 anos." Eu vejo Drop Dead Diva e adoro haha
Que pena que você não gostou. Eu estou numa fase "Meg Cabot", devorando tudo dela que me aparece e Cabeça de Vento estava na minha lista de compras ... E gostei muito da sinceridade da resenha.
Tomara que os outros livros sejam melhores, você pretende continuar a série ?
beijos
Mel, Defatto! & Três Lápis

julia moioli disse...

Adorei a resenha! Ainda não comprei o livro, mas mesmo com muita gente falando mal, vou querer ler pra tirar minhas próprias conclusões!
Eu acho que a Meg já escreveu muitos livros bons como esses que vocês falaram, mas tem também uns muito fracos... o que eu menos gostei até agora foi 'Ela Foi Até O Fim', achei muito ruinzinho em todos os sentidos. Acho que ela escreve muitos livros em muito pouco tempo... ela deveria investir mais na qualidade deles, aperfeiçoar as histórias, em vez de sair publicando, publicando, publicando.
Ela sempre tem boas ideias, mas muitas vezes as narrativas não se desenvolvem de um jeito legal! Mas também, acho que faz parte... ela tem um número considerável de livros realmente bons, o que já faz com que eu seja muuuito fã dela. :D

Leituras de Menina disse...

Estou lendo um livro da Meg (A Rainha da Fofoca) e estou A M A N D O... Acho que se for para me decepcionar não vou ler Cabeça de Vento...